Fiscalizar não é traição, e o vereador Pombo tem o direito de cobrar
Constranger um vereador diante da comunidade que o elegeu não responde às perguntas que ele levantou. Lagoa Grande precisa de transparência, não de recado.
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O vídeo que circula nas redes sociais de Lagoa Grande do Maranhão diz muito sobre a forma como o poder é exercido no município. Em uma reunião no povoado Lagoa do Encontro, reduto do vereador Pombo (Gil Eanes Silva Rocha, PSDB), o prefeito Neres Policarpo (PSB) rebateu, diante de dezenas de moradores, as críticas que o parlamentar havia feito em áudios enviados no dia 27 de julho, segundo o Blog do Carlinhos, que divulgou as imagens.
Nos áudios, Pombo afirmou sofrer perseguição política e citou, entre outras queixas, que um veículo de sua propriedade, que prestava serviço à Prefeitura, deixou de ser contratado. Na reunião, o vereador tentou se explicar e disse que as mensagens haviam sido enviadas apenas ao grupo de vereadores da Câmara.
Cobrar é a função do vereador
O vereador existe para fiscalizar o Executivo. Essa é a razão de ser da Câmara Municipal, e ela não deixa de existir quando prefeito e vereador fazem parte do mesmo grupo político. Discordar, cobrar e apontar o que considera errado não é deslealdade: é o mandato funcionando. Um Legislativo que só aplaude deixa de servir a quem votou nele.
Ao levar suas queixas aos colegas, Pombo usou o caminho próprio de um parlamentar. Pode-se concordar ou não com o que ele disse, mas o direito de dizer é dele, e o de cobrar explicações também.
A resposta certa não é o constrangimento
O que chama a atenção no episódio é o lugar e a forma da resposta. O prefeito escolheu rebater o vereador na comunidade que o elegeu, diante dos próprios eleitores dele. Quando quem ocupa o cargo mais forte do município responde assim, o recado vai além do debate: soa como demonstração de força e pode desestimular outros vereadores a fazer críticas.
Divergências entre Prefeitura e Câmara têm lugar próprio: a tribuna da Câmara, os requerimentos, as notas oficiais, os documentos. É ali que as versões se confrontam com dados, e não em um palanque improvisado no povoado do adversário de ocasião.
As perguntas continuam de pé
O episódio deixou sem resposta pública a questão central levantada pelo vereador. Por que o veículo deixou de prestar serviço? Foi fim de contrato, critério técnico, nova licitação? A forma mais simples de encerrar a polêmica é a transparência: publicar os contratos de locação de veículos e as razões de cada mudança. Isso vale para os dois lados, inclusive para esclarecer, à luz da lei, a própria contratação de um veículo ligado a um vereador.
Não há, até aqui, prova de perseguição. Mas também não houve explicação pública. Enquanto ela não vier, o constrangimento imposto a um vereador no reduto dele fala mais alto do que qualquer argumento, e a cidade perde a chance de discutir o que realmente importa: como o dinheiro público é gasto.
O Maranhão News mantém o espaço aberto para a manifestação do prefeito Neres Policarpo e do vereador Pombo.
Este texto é um editorial e expressa a opinião do Maranhão News. Os fatos relatados têm como base o vídeo e a publicação do Blog do Carlinhos e os registros de candidatura do TSE.
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